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22 de Outubro de 2020

A crise de identidade e a cultura.

Direito Social. Setembro amarelo.

Bachareis em Direito
Publicado por Bachareis em Direito
mês passado

Vai chegar um dia, em que não será mais possível identificar os povos com práticas culturais puras. Do mesmo modo que as grandes navegações mapearam o espaço geográfico; isso também vai acontecer no contexto cultural.

Se não houver mais cultura pura em prática, então isso significa que a cultura dominante será uma mistura de todas as culturas, ou seja, com o melhor de cada cultura.

Se uma sociedade onde não se pode determinar a prática de uma cultura pura, isso poderá influenciar na identidade do cidadão.

O ser humano tem necessidade de pertencer a algo, pois, já dizia os filósofos contratualistas, o homem é um animal político, ou seja, o homem precisa estar inserido em um sistema político (sociedade).

Com uma sociedade com falta da cultura pura no plano material, isso pode contribuir para crises existenciais nos cidadãos, especialmente nas crianças e adolescentes.

Se analisarmos o comportamento dos jovens secundaristas atualmente, talvez essa falta de identidade, devido a uma dificuldade em se identificar com algo, tem trazido muitos conflitos pessoais, mais conhecido como crise existencial. Devido ao acesso à informação da era digital, os jovens se apropriam de uma diversidade de culturas. Comportamento este, muito difícil no Brasil, para aquela geração que se formou no ensino médio anterior ao ano 2000.

Este jovem que não é orientado, se apropria de costumes culturais diversos, e lado ruim disso, é que vai chegar um momento em que esse jovem vai desacreditar no sentido da vida.

Veja o cenário de incerteza política em que o Brasil está passando.

Bolsonaro se diz evangélico, e ao mesmo tempo, aparece na TV um grande grupo de evangélicos defendendo, que uma menina de 10 anos deve parir, considerando irrelevante que essa gravidez se deu por meio de estupro. Nossos pais falam que devemos casar ao invés de ficar trocando de parceiro amoroso, entretanto, na TV, dois programas populares em nível nacional, “Casos de Família” e o “Jornal da Record/Band” traz temas de conflitos familiares que originam no divórcio e no assassinato do parceiro.

Diante disso, a lógica razoável seria um aumento de investimento público em projetos de conscientização das origens dos conflitos familiares e do aumento de furtos/roubos, para que a sociedade saiba como prevenir tais tragédias. Mas o que se pode ver, é pouco investimento em ações preventivas nesse tema.

Também tem as letras das músicas populares. Note que a moda da vez agora é o sertanejo tipo sofrência. Os próprios cantores falam que tais músicas é para ouvir, tendo como acompanhamento uma bebida alcoólica, porque a música deixa o cidadão tão para baixo, faz a pessoa se sentir um lixo, que o único jeito de aguentar toda uma onda de sentimento negativo que vem com essas músicas, é se tal pessoa estiver “chapado”. Então para um jovem que está na escola secundária, ver tais acontecimentos na TV, e da banalização da ética nas músicas que tocam na rádio, é uma coisa que colabora para as crises existenciais. Muitos jovens não aguentam essa pressão e acabam tirando a vida. É preciso pensar nessa crise existencial que, se não tomar cuidado, vai aumentar exponencialmente nessa era digital que estamos iniciando. Se o problema da falta de identidade não for resolvido, imagina como será o Brasil no ano de 2050?


Referências:

1. Javier Herrero, Francisco. Religião e história em Kant. Ano: 1991. Acessado em: 19/09/2020.

2. Os índios na História. Disponível em: <https://www.facebook.com/ANPUH/videos/1226299364392200>. Acessado em: 19/09/2020.

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